Nos últimos tempos o tema transição planetária é alvo de estudos e palestras no meio espiritualista e espírita. A medida que o assunto se popularizou, ele também passou a ser alvo de fantasias, simplificações e expectativas que não correspondem à realidade. Alguns acreditam que a transição é um salto quântico vibracional, uma mudança quase automática, uma seleção de espíritos evoluídos, independentemente da conduta humana.
O que ocorre é que isso se distancia da realidade profunda apresentada pela doutrina espírita, que sempre preza por clareza, lógica e coerência. É evidente que não existe uma mudança drástica, tudo no mundo e na natureza passa por ciclos, não seria diferente na transição planetária.
A ideia de transição planetária nasce da compreensão a respeito do progresso do mundo e dos espíritos que nele habitam. Na codificação do espiritismo fica estabelecido que o progresso dos mundos está atrelado ao progresso moral e intelectual de seus habitantes, ou seja, não existe mágica. Muito embora saibamos que o progresso é imparável, ele não acontece de uma hora para outra, tão pouco por meio de uma transformação súbita que se concretiza desvinculada da realidade espiritual coletiva.
No evangelho segundo o espiritismo encontramos: ''Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente o mundo que eles habitam. Quem pudesse acompanhar o mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados a constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada na natureza permanece estacionário. Quão grandiosa é essa ideia e digna de majestade do criador! Quanto ao contrário, é mesquinha e indigna de seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a terra, e restringe a humanidade aos poucos homens que a habitam'.
Diante dessa explicação fica impossível acreditar que daremos um salto quântico e de uma hora para outra seremos livres de doenças, mentiras, corrupção e tantos outros males que ainda habitam nossa mente e coração. A verdade dos fatos é que o progresso é gradual, imperceptível a uma única geração e construído ao longo do tempo por meio de escolhas, experiências, erros e acertos coletivos.
Santo Agostinho nos traz no evangelho segundo o espiritismo: ''A terra, conseguintemente, oferece um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas revelando todos, como caráter comum, para servirem de lugar de exílio para espíritos rebeldes à lei de Deus. Esses espíritos têm aí de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e com a inclemência da natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, em sua bondade, faz que o próprio castigo redunde m proveito do progresso do espírito''.
A transição não elimina conflitos, não suprime desafios, e tão pouco, suspende a responsabilidade moral. A transição se dá justamente pela superação, ainda que gradual, de tais condições, à medida que os espíritos deixam de se rebelar contra as leis divinas e passam avive-las de forma mais consciente. É preciso estudar para entender que as mudanças acontecerão independentemente de nossa percepção, já estamos muito melhores do que estávamos a 100 anos e estaremos muito melhor daqui um século. Viva um dia de cada vez, sorria mais, ame muito mais e seja feliz.
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