Existem muitas maneiras de se praticar a caridade. O único requisito necessário, condição sem qual não se pode ser caridoso, é a vontade, a livre vontade de servir e ajudar. Tanto é assim que a famosa passagem da carta do apóstolo Paulo de Tarso, enviada aos Coríntios e descrita em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XV, itens 6 e 7, assim descreve o ato do ser caridoso:
''Ainda quando eu falasse as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; ainda quando tivesse o dom da profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas, ainda quando tivesse toda a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. E, quando houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado o meu corpo para ser queimado, senão tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.''
''A caridade é paciente, é branda e benfazeja, a caridade não é invejosa, não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; não é desdenhosa, não cuida de seus interesses, não se agasta, nem se azeda com coisa alguma, não suspeita mal, não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. Agora essas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem, mas dentre elas, a mais excelente é a caridade''.
Dentre todas as maneiras de se fazer caridade, uma muito pouco propagada é a escuta, que se apresenta como de muito necessidade principalmente na atualidade, a tecnologia diminuiu as distâncias e isolou os indivíduos, estamos próximos de aparelhos eletrônicos e distantes em companheirismo.
Quando escutamos alguém ajudamos no alívio da dor, consolamos, amparamos e acolhemos. Mas não basta escutar, precisa ser uma escuta ativa. Escuta ativa é uma técnica de comunicação caracterizada por escutar com atenção e interesse. Ela compreende ouvir ativamente o interlocutor, evidenciando interesse genuíno e a compressão por meio da linguagem corporal, contato visual, reflexão e outros elementos. Mas infelizmente nem todo mundo sabe ouvir ativamente, inclusive muitos terapeutas que se dizem profissionais da escuta, estão deixando de lado essa técnica tão fabulosa.
Conjugando o termo escuta ativa com as características da caridade descritas na epístola de Paulina, podemos definir que a verdadeira escuta ativa só acontece quando aliada a outras virtudes como a paciência, a brandura, o bem fazer, a verdade, a doçura; e associada a alguns defeitos, tais como inveja, precipitação, orgulho, desdém e injustiça.
Nessa compressão podemos afirmar, que nem toda escuta é ativa e nem toda caridade é válida. Mas a caridade da escuta ativa é um verdadeiro ato cristão, por isso é uma ação espiritual profunda, que não acontece sem impactar a todos os envolvidos.
Não existe caridade em que apenas um é beneficiado. A pura caridade é tão grandiosa e amparada pelos espíritos superiores. Consola e somos consolados, de forma tal que ao final, não sabemos quem é o benfeitor ou beneficiado.
Quem fala encontra amparo, alivia suas dores ao verbalizar, consegue encontrar a solução de seus problemas ao fazer uma reflexão a dois, descontrói sua dor e adentra ao caminho do equilíbrio e da paz interior, afastando-se do ódio e da vingança.
É preciso frisar que a escuta ativa é dissociada de julgamentos. Ouvimos para aliviar a dor do outro. Não apontamos erros ou simplesmente criticamos, ao falarmos conseguimos ouvir e entender nossas aflições, o entendimento vem daí. Escutar ativamente requer atenção e empatia, coisas raras na atualidade.
Que escutem, quem quiser amparar e ser amparado. Quem tiver ouvidos para ouvir e vontade de evoluir, tenha certeza de que a caminhada nos ensina que as maiores lições quando não percebemos nem mesmo que somos aprendizes.
.webp)
.webp)
.webp)




.webp)


.webp)



.webp)
.webp)
.webp)
.webp)

.webp)
.webp)
.webp)
.webp)
.webp)


.webp)