A tolerância é uma virtude necessária à convivência social, ao respeito a diversidade e à construção de uma sociedade mais justa. Entretanto, há uma questão bastante delicada, até quanto devemos tolerar para não sermos coniventes?
Se olharmos pelo prisma espírita, a tolerância está diretamente ligada ao bem, à responsabilidade moral e à pratica da caridade. Por essa razão não podemos confundir tolerância com passividade ou indiferença diante de atos erróneos. Há casos em que a nossa passividade pode estar relacionada a perpetuação ou disseminação do mal. No livro dos espíritos encontramos a seguinte pergunta:
''Para agradar a Deus e assegurar sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? Resposta: Não, cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem''.
Podemos compreender que a ética espírita não se contenta com a neutralidade. Até porque o Mestre Jesus já nos advertiu: ''que seu dizer seja sim sim ou não não''. Não basta que discordemos do mal ou nos afastemos dele; é preciso que façamos o bem e ajamos em prol dele sempre. Afinal tudo o que fizermos cria consequências, tanto para o bem como para o mal. O plantio é livre,mas a colheita é obrigatória.
O limite da tolerância mora onde ela passa a ameaçar a dignidade, a justiça ou a caridade. A tolerância só é aceitável quando se compromete com o que é justo. Esse comprometimento com o bem não é privilégio de alguns, mas sim uma possibilidade real para todos nós.
''Não há quem não possa fazer o bem. Somente um egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Basta que se esteja em relação com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de pratica-lo. Porque, fazer o bem, não consiste, para o homem, apenas um ser caridoso, mas um ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu concurso venha a ser necessário''. Kardec no livro dos espíritos.
Portanto é preciso internalizar que a tolerância não é passiva, mas sim equilibrada. Ser uma pessoa tolerante não é ser alguém que feche os olhos para os erros ou que compactue com a prática que fere a dignidade humana. É justamente o contrário, é agir com paciência, compreensão e respeito, tendo firmeza diante daquilo que prejudica o próximo.
Você pode tolerar as falhas naturais de alguém, mas não deve tolerar abusos; pode aceitar que haja divergência de opinião, mas jamais aceitar discursos de ódio; pode compreender limitações, mas não pode justificar atitudes que causem sofrimento. Em um mundo onde muitas vezes passamos por cima de outras pessoas para priorizar nossa felicidade, precisamos aprender a respeitar e escolher melhor com quem convivemos e quem aceitamos dividir nossa energia.
Devemos fazer o bem sempre, fazendo o nosso melhor a cada dia. E isso, está muito longe de permanecermos inertes diante do sofrimento alheio. Faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem para você, essa é a melhor forma de crescermos e sermos éticos e tolerantes.
Lembremo-nos que sermos tolerantes é uma virtude, ser conivente com o mal é uma omissão. É tempo de nos comprometermos com uma tolerância equilibrada, que respeita o próximo, mas que não abdica da obrigação de auxiliar na construção de um mundo mais justo, solidário e amoroso. Dê o primeiro passo rumo ao equilíbrio.

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