terça-feira, 30 de junho de 2026

O que é preciso para espiritualizar-se

                  Espiritualizar-se é muito mais que ir a reuniões ou acreditar na vida após a morte física. É, acima de tudo um compromisso com a transformação interior e com a prática no bem. Precisamos nos esforçar para a transformação moral e domar nossas más inclinações. Somos muito mais do que um corpo orgânico, somos espíritos imortais vivendo uma experiência física.
                 A mudança interior não é apenas algo individual, ela tem um impacto coletivo. Cada gesto de calma, compreensão e respeito contribui para que as relações sociais se tornem mais humanas e solidárias. O comportamento de quem quer se espiritualizar, não deve ser movido pelo medo ou pela aparência de bondade, mas pela consciência de que o bem é uma força transformadora.
                   Vivemos tempos de muita pressa e pouca escuta, as redes sociais amplificam o ódio e a convivência muitas vezes é marcada por julgamentos e disputas. Neste cenário quem quer espiritualizar-se precisa se afastar de certas coisas, buscar um ponto de serenidade. Emmanuel no livro Pensamento e vida, afirma que a mente é um espelho da vida em toda parte. Isto quer dizer que o que cultivamos dentro de nós se reflete fora. Se estamos em paz, ajudamos a criar paz ao nosso redor.
                    Pensemos em uma situação comum, alguém no trabalho te ofende ou age de forma grosseira. É natural sentir vontade de responder na mesma moeda. Mas como estamos no caminho da espiritualização, precisamos quebrar esse ciclo de conflito. Quando escolhemos respirar fundo, se calar ou responder com gentileza, mudamos automaticamente essa energia e ficamos bem.
                     Essa prática faz com que a gente se diferencie dos demais, ou seja, nos afastamos das energias ruins e ainda criamos um ambiente mais acolhedor ao nosso redor, são pequenas atitudes que geram bem estar e equilíbrio em nossa vida.
                     A filósofa Hannah Arendt dizia que o mal se espalha quando as pessoas param de pensar e sentir. Quem busca o caminho da espiritualização age com consciência, refletindo sobre as consequências de cada gesto e buscando fazer o bem mesmo quando é difícil. Cada ato de paciência, cada palavra que acalma, é uma contribuição para um mundo menos violento.
                       Mas do que cultivar serenidade interior, precisamos agir de forma tranquila. E essa ação se expressa sobre tudo na caridade, que é um dos pilares essenciais para quem quer mudar-se interiormente e espiritualizar-se. A caridade não está atrelada somente a doação de bens materiais, mas também ao nosso tempo, a amorosidade em ouvir quem sofre. Devemos iniciar nossa mudança com quem convivemos e irmos ampliando gradativamente até ser algo natural em nós.
                       Esse olhar voltado para o outro se torna ainda mais urgente em nosso tempo. Vivemos, como observa o filósofo Byung-Chul Han em Sociedade do cansaço, em uma era de esgotamento e isolamento, em que o ser humano se fecha em si mesmo e mede seu valor apenas pelo desempenho. Espiritualizar-se propõe um caminho diferente, o do cuidado, da empatia e da serenidade. Enquanto o mundo estimula a competição, somos convidados a praticar a cooperação e a caridade ativa, porque a verdadeira paz não nasce de leis ou discursos, mas do esforço diário de cada um para transformar a si mesmo e o ambiente em que vive.
                      Espiritualizar-se é viver o amor, a compreensão e a responsabilidade em todas as esferas da vida, em casa, no trabalho, no trânsito e nas redes sociais. É lembrar que a caridade começa no pensamento, ganha força na palavra e se concretiza na ação. É vivenciar o bem, mesmo nos gestos mais simples. Estamos nos transformando a cada segundo, portanto cuide-se em suas ações e reações, somos o que pensamos.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A vida sempre continua, a gente querendo ou não

                          Era uma noite como outra qualquer, fiz minhas orações e fechei meus olhos para dormir, de repente me vejo ao lado do meu corpo, observo o ambiente, tudo calmo e durmo tranquilamente. Me pergunto mentalmente para onde devo ir. Imediatamente ouço uma voz conhecida:
                        -Olá Fatima, pronta para o trabalho?
                        Era Jorge, um dos espíritos que me acompanham no trabalho em desdobramento. Na verdade, não sei se sou eu que acompanho o trabalho ao lado dele ou vice versa, mas nos conhecemos há muitos anos, somos amigos inseparáveis, em todos os momentos difíceis ele estava ao meu lado, e nos momentos felizes também está sempre próximo. 
                        -Para onde vamos?
                        -Estou tendo dificuldades com uma pessoa recém desencarnada que não quer aceitar ajuda dos espíritos, daí ofereci a ajuda de alguém que continua viva.
                        -Ou seja, eu.
                        Rimos juntos, afinal isso é bem comum, muitos recém desencarnados conseguem ver de forma sutil a diferença entre os dois mundos e se assustam, daí existe um time bem grande de encarnados que faz essa ligação, criando novos amigos e ensinando que nada muda, somente a dimensão. 
                        Ele pegou em minha mão e numa fração de segundos já estávamos no hospital Esperança II que fica nas imediações da crosta terrestre em cima de Curitiba. É um hospital gigante, vários prédios e anexos, a maioria das pessoas que desencana na região física próxima, vem para cá.
                        Entramos no hospital e fomos diretamente para o quarto onde César estava, nos cumprimentamos e ele logo fala:
                        -Você é diferente, tem uma luz diferente de todos que conheci. 
                        -É porque eu ainda não morri, continuo viva no planeta terra.
                        -Você está em coma ou se preparando para morrer?
                        -Espero que não. Já morri uma vez por 15 minutos e voltei como se nada tivesse acontecido, portanto, não faz muita diferença.
                         Rimos juntos, ele estava bem nervoso, pois ainda não entende muitas coisas. Nisso Jorge fala:
                         -Vou deixar vocês se conhecerem, aproveite para perguntar tudo o que você quiser para a Fatima, eu continuarei minha ronda médica.
                         -Então Cézar, como você se sente nessa nova vida?
                         -Ainda estou me acostumando. Eu nunca fui religioso, minha mãe era espírita, fiz evangelização, mas assim que fiquei adulto, preferi curtir a vida e sofri um acidente de carro com 40 anos e vim parar aqui. Acredito que só fui ajudado por causa de minha mãe, pois acho que não fiz nada de extraordinário.
                         -Acredito que sua mãe ajudou, mas o fato de você pedir por ajuda já é um grande passo. Não somos tão ruins assim, pelo menos a maioria de nós. Pelo que Jorge me disse, você não era uma má pessoa, isso também contribuiu para ter um quarto aqui no hospital.
                        -Fazer o mal eu não fiz, mas também não frequentei nenhuma religião.
                        -Nem todo mundo precisa da religião para conter suas más tendências, existem pessoas que já possuem o senso de responsabilidade e o bem dentro do coração e mente.
                        Ele acena com a cabeça, percebo que fica refletindo sobre o que estou falando, aguardo ele voltar da reflexão para perguntar:
                        -O que você quer saber sobre essa nova forma de viver? Sente falta de algo ou alguém?
                        -O pouco que lembro da evangelização, está meio esquecido em minha mente. O que devo fazer? Estudar? Trabalhar? Conhecer novas pessoas? Encontrar meus parentes que já morreram? São muitas perguntas.
                       -Como já dizia Jack o estripador, vamos por partes. 
                       Ele solta uma gargalhada e diz:
                       -Eu sinto falta do humor da terra. O povo daqui é muito sério.
                       -Não se preocupe, eu falo muito e sou boa piadista. Em relação ao que fazer, gosto muito de seguir a intuição. Neste momento, o que você deseja? pense que sou um gênio da lâmpada e vou te conceder um pedido.
                       -Estou com saudades da minha esposa e filho, da família toda.
                       -Permissão para sair você não tem ainda, mas existe uma sala onde podemos vê-los em tempo real, quer ir para lá?
                       Ele com os olhos úmidos diz que sim. 
                       Fomos até este local que é uma sala individual, onde tem um telão. Ninguém entre sem acompanhamento, pois não é fácil controlar as emoções quando se está recém desencarnado. Programei o computador e as imagens foram aparecendo. César se emociona muito ao ver que sua família também sente sua falta. Ficamos por um tempo ali, para ele matar a saudade e se recompor, depois levei-o para o quarto, onde ele adormeceu profundamente, muito provável dormirá por dias.
                       Meu trabalho da noite fui cumprido com sucesso, retorno ao meu corpo com a sensação de missão cumprida e já me programei para continuar as visitas e ajudar Cesar no que ele precisar para se integrar nessa nova vida. Muitos acreditam que a morte é o fim de tudo, eu digo que é somente o começo de uma nova jornada, cheia de possibilidades, novos conhecimentos e e novas amizades. A vida sempre continua, a gente querendo ou não. 
      

                   

terça-feira, 16 de junho de 2026

Quanto devemos tolerar?

                             A tolerância é uma virtude necessária à convivência social, ao respeito a diversidade e à construção de uma sociedade mais justa. Entretanto, há uma questão bastante delicada, até quanto devemos tolerar para não sermos coniventes?
                             Se olharmos pelo prisma espírita, a tolerância está diretamente ligada ao bem, à responsabilidade moral e à pratica da caridade. Por essa razão não podemos confundir tolerância com passividade ou indiferença diante de atos erróneos. Há casos em que a nossa passividade pode estar relacionada a perpetuação ou disseminação do mal. No livro dos espíritos encontramos a seguinte pergunta:
                              ''Para agradar a Deus e assegurar sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? Resposta: Não, cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem''.
                              Podemos compreender que a ética espírita não se contenta com a neutralidade. Até porque o Mestre Jesus já nos advertiu: ''que seu dizer seja sim sim ou não não''. Não basta que discordemos do mal ou nos afastemos dele; é preciso que façamos o bem e ajamos em prol dele sempre. Afinal tudo o que fizermos cria consequências, tanto para o bem como para o mal. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.
                                O limite da tolerância mora onde ela passa a ameaçar a dignidade, a justiça ou a caridade. A tolerância só é aceitável quando se compromete com o que é justo. Esse comprometimento com o bem não é privilégio de alguns, mas sim uma possibilidade real para todos nós.
                                ''Não há quem não possa fazer o bem. Somente um egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Basta que se esteja em relação com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de pratica-lo. Porque, fazer o bem, não consiste, para o homem, apenas um ser caridoso, mas um ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu concurso venha a ser necessário''. Kardec no livro dos espíritos.
                                 Portanto é preciso internalizar que a tolerância não é passiva, mas sim equilibrada. Ser uma pessoa tolerante não é ser alguém que feche os olhos para os erros ou que compactue com a prática que fere a dignidade humana. É justamente o contrário, é agir com paciência, compreensão e respeito, tendo firmeza diante daquilo que prejudica o próximo.
                                  Você pode tolerar as falhas naturais de alguém, mas não deve tolerar abusos; pode aceitar que haja divergência de opinião, mas jamais aceitar discursos de ódio; pode compreender limitações, mas não pode justificar atitudes que causem sofrimento. Em um mundo onde muitas vezes passamos por cima de outras pessoas para priorizar nossa felicidade, precisamos aprender a respeitar e escolher melhor com quem convivemos e quem aceitamos dividir nossa energia.
                                  Devemos fazer o bem sempre, fazendo o nosso melhor a cada dia. E isso, está muito longe de permanecermos inertes diante do sofrimento alheio. Faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem para você, essa é a melhor forma de crescermos e sermos éticos e tolerantes.
                                  Lembremo-nos que sermos tolerantes é uma virtude, ser conivente com o mal é uma omissão. É tempo de nos comprometermos com uma tolerância equilibrada, que respeita o próximo, mas que não abdica da obrigação de auxiliar na construção de um mundo mais justo, solidário e amoroso. Dê o primeiro passo rumo ao equilíbrio.

terça-feira, 9 de junho de 2026

O que é reencarnação compulsória?

                   Reencarnação é aceita por muitas religiões, é vista como um processo de aprendizado e evolução continua da alma. A doutrina espírita nos diz que a reencarnação é a volta da alma ou espírito à vida corpórea, mas em um corpo especialmente formado e que em nada tem de comum com o antigo, assim como as lembranças são quase sempre 100% apagadas.
                  No entanto, nem todas as reencarnações acontecem de maneira voluntária ou consciente. Existe o fenômeno conhecido como reencarnação compulsória, no que a alma é trazida a encarnação sem seu pleno consentimento, isso ocorre geralmente por débitos espirituais, obrigações cármicas ou interferência de espíritos desencarnados.
                   Este tema nos convida a refletir sobre a justiça divina, a liberdade da alma e os desafios do progresso espiritual. Segundo o espiritismo a reencarnação compulsória é em sua essência um meio de aperfeiçoamento moral e intelectual da alma. No entanto há casos em que a alma não se apresenta espontaneamente para encarnar e muitas vezes por causa de seus débitos é obrigada a retornar a vida física.
                   Esse tipo de situação ocorre geralmente quando as dívidas estão maiores que o que fizemos de bom,  as vezes assumimos compromisso em uma vida passada e será preciso quitar esses compromissos ou como no caso de reparação por algum ato cometido. É evidente que todos já fizemos coisas ruins e cedo ou tarde a conta chega, a reencarnação compulsória é uma ferramenta que nos ajuda a aliviar o peso de nossas dívidas.
                     No livro dos espíritos na questão 337: Pode a união do espírito a determinado corpo ser imposta por Deus? Resposta: Isso ocorre quando a alma ainda não tem maturidade para escolher livremente ou quando precisa passar por provas indesejáveis ao seu progresso. Nesses casos, a encarnação é determinada pela lei divina, não como punição, mas como um ato de justiça e misericórdia, garantindo que o espírito tenha as experiências necessárias ao seu adiantamento moral e intelectual.
                     E quando isso pode acontecer: Quando o espírito se encontra em fase inicial de aprendizado, sem discernimento suficiente para definir suas provas ou missões. Quando, por perturbação moral ou espiritual, como remorso intenso, confusão mental ou fixação em culpas passadas, neste caso o espírito não dispõe da clareza necessária para participar ativamente de seu planejamento reencarnatório. Quando, mesmo já compreendendo a necessidade de reparação, o espírito resiste obstinadamente a enfrentar determinadas provas, sendo então conduzido a uma experiência educativa essencial ao seu progresso.
                     Nesses casos, espíritos mais elevados, mentores que acompanham o progresso de cada um de nós, podem intervir organizando uma nova encarnação. Essa reencarnação tem caráter reparador, oferece ao espírito condições para se libertar deste ciclo de fixação mental e retomar o aprendizado, recebendo um novo corpo, um ambiente familiar e circunstâncias adequadas ao seu reajuste moral e espiritual.
                      A justiça divina é infinita em sua bondade, não pune, educa. Quando um espírito resiste ao progresso, pode ser conduzido a uma nova encarnação reparadora, com vistas ao seu próprio benefício. À medida que este espírito progride, sua liberdade também se expande e suas escolhas se tornam mais conscientes.
                      A reencarnação compulsória pode gerar sofrimento e desafios profundos. Espíritos trazidos a encarnar sem consentimento podem enfrentar situações adversas ou limitações físicas e mentais significativas. A pesar disso essas experiências não são aleatórias. Kardec enfatiza que mesmo essas provas tem um propósito educativo, a oportunidade de aprendizado moral, resignação e fortalecimento do caráter.
                     Mesmo em reencarnação compulsória a alma pode evoluir. A dificuldade não anula o progresso, muito pelo contrário, testa a capacidade do espírito de enfrentar adversidades e transformar experiências dolorosas em crescimento.
                     Cada um de nós pode já ter passado por reencarnação compulsória ou estar passando neste momento, o que precisamos aprender é aceitar as dificuldades e transforma-las em progresso e mudança moral. Você deve ser seu maior incentivador, afinal, para cairmos em situações ruins já tem muita gente nos empurrando. Erga a cabeça, lute com unhas e dentes e ressignifique sua vida. Somente você pode fazer a mudança interior.
        

terça-feira, 2 de junho de 2026

Luto é sempre luto, independentemente de sua crença religiosa

                              As pessoas que seguem o espiritismo ou são espiritualistas vivenciam o luto? Afinal essas pessoas acreditam na vida após a morte, deve ser mais fácil passar pelo luto ou o sofrimento da saudade de quem amamos.
                           Na minha opinião qualquer pessoa independente de religião sofre quando perde alguém que ama. O espiritismo nos diz que a dor é algo muito íntimo, não existe tempo para deixar de sofrer ou como algumas religiões designam um tempo específico para o luto. A dor é sua e só você saberá o tempo que levará para digerir esse sofrimento. Todos somos dotados de emoções e por isso não estamos isentos de sentir dor.
                           Existem certos comentários do tipo: ''Espírita não chora porque sabe como é o outro lado'', ou que ''O espírita não pode se apegar à essa dor porque logo a pessoa vai reencarnar'', bem como outras frases feitas que são comentários frios, como se certas religiões fossem repletas de fieis insensíveis. 
                           No meio espírita e espiritualista existem os dois lados da história, os que nunca sentem nada e dizem que o espiritismo cura qualquer coisa (que muito provável não amam verdadeiramente ou não querem vivenciar a dor) e os que sentem e levam o tempo que quiserem para vivenciar o luto e a saudade.
                           No livro na Trilha do bem o personagem principal Edgar vive este momento em sua vida, quando estava encarnado. Um querido amigo, Joaquim, ao qual ele sentia afeto paterno, desencarna. O autor Otávio Müller relata que Edgar viveu aquele luto quieto e entristecido, porém lembrando do Sr. Joaquim com muita gratidão, que foi ele quem lhe ofereceu o primeiro emprego, ensinou o ofício da sapataria e deixou-lhe o negocio em testamento.
                            Agir com frieza ou desprezar essa vivência não é o caminho da caridade que se espera de alguém religioso, seja qual for sua crença. Assim como o comportamento soberbo de dizer a um enlutado que ele está errado. O caminho do equilíbrio é confiar no evangelho de Jesus, o mestre nos disse em sua passagem pelo plano terrestre que passaríamos por provações e que deveríamos confiar nele e no criador.
                            Lembremos também que Jesus chorou ao saber da morte de seu amigo Lázaro. Esse sentimento de perder alguém querido também foi vivido pelo homem mais pacífico que a terra conheceu, logo ninguém está livre de passar pela dor da perda.
                             A vivência do luto é única e intransferível. O espírita traz consigo algumas certezas, como a saudade e a necessidade do perdão, mesmo no pós mortem. Outra prática comum é fazer a prece pelos recém desencarnados, já que agora as pontes de comunicação com os entes amados e desencarnados são invisíveis, nada mais puro do que uma prece sincera por quem já passou desta vida física.
                              As circunstâncias do desencarne do ente amado afeta direta ou indiretamente qualquer um de nós. Se de repente foi uma situação de cuidados paliativos, onde se esperava a morte assistida ou a espera dos familiares pelo fim do sofrimento, neste caso a despedida já vinha sendo feita pouco a pouco, nesta situação a resignação pode ser considerada mais tranquila, mas mesmo assim cheia de dor.
                             Todavia, nos casos mais violentos ou repentinos, podemos nos chocar como qualquer outra pessoa, o fato de conhecermos algo espiritual não nos abona da dor ou sofrimento pela perda de alguém próximo. Somos todos feitos de sentimentos e emoções e nada nos impede de sentirmos raiva, revolta e dor diante dessas situações, somos humanos e sentir é nossa maior qualidade.
                             Dessa forma, podemos concluir que o luto se estende a quem sente amor, independente de sua crença religiosa. Ninguém escapa da dor da perda de um ente amado diante da morte. As pessoas espiritualizadas, apenas buscam um outro olhar para essa partida tão repentina, um olhar com a alma de que não será somente um adeus, mas sim agradecendo pelo reencontro. E esperamos que nos ver muito em breve e continuarmos nossa trajetória evolutiva aqui no planeta terra, ou no plano espiritual ou em outros mundos habitados. O importante é sempre o reencontro.