quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço

                      Em tempos de hipocrisia, quem faz o certo é quase sempre taxado de errado. Será que estamos no caminho certo ou somente fingindo que somos do bem? Trarei algumas reflexões para nos motivarmos a mudança interior.
                    Alguns espiritualistas são brilhantes no estudo das teorias espirituais, mas são ridículos na prática das atitudes simples da vida humana, é mais fácil querer ensinar o próximo do que mudar interiormente.
                    Alguns se dizem uma verdadeira usina de força anímica, que sua mediunidade é excepcional, mas não conseguem encontrar forças para vencer um simples defeito. 
                    Alguns são categóricos em afirmar que a fé remove montanhas, mas não são capazes de remover a sujeira do próprio ego.
                    Alguns tem certeza de que são imortais, mas tremem de medo só de pensar na morte. Isso ficou bem evidente na pandemia, muitos espíritas e espiritualistas ficaram apavorados com a possibilidade de adoecer e morrer.   
                    Muitos adoram consolar os outros no cemitério, dizendo: ''a pessoa apenas desencarnou e está viva no plano astral. Não chore, pois não há motivo, à separação é transitória...'' Mas quando morre um ente querido, eles são os primeiros a chorar e se desesperar.
                   Vários dizem:'' não me interessa o plano físico, meu negocio é o plano astral''. Porém, seus pés estão presos nas cinzas da terra e seus corações são duros como pedras.
                    Alguns são clarividentes ou videntes, veem constantemente a aura das pessoas, mas não conseguem enxergar a própria leviandade.
                    Muitos falam em perdão e amor, mas raros perdoam incondicionalmente.
                    Muitos se dizem '' escolhidos espirituais'', mas, pela própria postura, demonstram que foram escolhidos sim, mas somente pela vaidade e egoísmo.
                    Muitos estufam o peito e dizem:'' eu sou iniciado em um grau avançado de uma escola espiritual''. Sim, é verdade, são iniciados no mais alto grau da escola da arrogância.
                    Alguns se dizem naturalistas, que são incapazes de comer alimentos pesados, mas continuam comendo irritação a todo instante. O Cristo nos disse que vale muito mais o que sai de nossa boca do que aquilo que entra.
                    Muitos rezam bastante, mas poucos amam realmente.
                    Muitos usam como exemplo de vida os ensinamentos de Jesus, Buda e outros avatares da história, mas não são capazes de observarem as lições de vida contidas num olhar de uma criança ou nas rugas de um ancião trabalhador.
                    Muitos se intitulam magos modernos da nova era, entretanto, parecem mais um bando de fundamentalistas místicos, que se exasperam perante a primeira provocação de um cético materialista.
                    Muitos dizem que estão trilhando o caminho da espiritualidade, mas ainda se preocupam com as coisas do dia a dia, dão valor exagerado ao materialismo e gostam de aparecer. Onde está a espiritualidade?
                    A vida da gente é cheia de altos e baixos, às vezes sofremos e noutras conseguimos enfrentar a dificuldade com mais serenidade. Aproveite o ano para refletir se está caminhando por um caminho de elevação ou se está se afundando em mágoas e desilusões. Nascemos para sermos felizes, o aprendizado vem da aceitação de que somos espíritos, vivendo um experiência humana.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Como desenvolver sabedoria?

                     ''Ninguém nasce sábio'', já diz um provérbio e isso é verdade. Todos os seres humanos nascem neste mundo com o fim de aprenderem algo. Se precisamos aprender qualquer coisa é porque ainda não somos sábios. Até o mestre Jesus, enquanto criança não era reconhecido como sábio. Diz o evangelista: ''Jesus crescia em sabedoria e idade''. Portanto a sabedoria foi se manifestando nele com o passar dos anos.
                      Jesus passou por muitos maus momentos até desenvolver sabedoria, mesmo quando passou pelo batismo no rio Jordão, precisou combater as tentações personificadas por satanás. Se Ele que nasceu para ser alguém especial e modificar a forma como agimos e vemos o mundo passou por provações, imagina nós que ainda estamos tentando encontrar um caminho a ser seguido.
                      Quanto tempo precisou Buda para descobrir a fonte da sabedoria? Ele cujo o nome significa sábio ou iluminado. Não foi no esplêndido palácio real, não foi entre os gozos e prazeres, nem mesmo nos banquetes, nem no meio dos aduladores ou servos prestimosos, que ele conseguiu adquirir sua iluminação. Mas também não foi no isolamento que essa iluminação baixou sobre ele.
                       Nos seus primeiros 29 anos de vida, o jovem Sidarta viveu uma ilusão de prazeres e sentidos físicos, por sete anos precisou lutar contra as visões astrais, até que por fim reconheceu que não conseguiria a iluminação se abstendo de alimento e com sofrimento corporal, desistiu desses métodos e tratou de abrir a mente. Só então sentiu-se mergulhado pela luz da sabedoria eterna. Após olhar para seu interior, acessou seu passado espiritual e adentrou ao conhecimento das encarnações, extinguindo seus desejos egoísticos e se desvencilhando de seus problemas cármicos.
                      Se Ele que era a reencarnação do Buda passou por tudo isso, imagina nós que não conseguimos nem perdoar uma fechada no trânsito. O que precisamos fazer ou deixar de lado para adentrarmos ao conhecimento espiritual?
                      São dois os caminhos que nos levam ao pleno conhecimento da verdade, que é ao mesmo tempo a verdadeira sabedoria. Um deles é o caminho do saber e o outro, o caminho da fé. O primeiro caminho foi-nos ensinado pelo budismo e o segundo pelo cristianismo. Não pense que estes dois caminhos são contrários um do outro, ambos levam para o mesmo lugar, e se unem antes de chegar ao seu fim.
                       Ambos são necessários, porque cada alma precisa percorrer este caminho, mas não precisa faze-lo na mesma encarnação. Aqueles que já estão no caminho da mudança, já desenvolveram faculdades racionais, outros já desenvolveram mais o coração, isto é as faculdades sensitivas, fica evidente que o primeiro caminho desenvolve o saber e o segundo caminho a fé, agora só falta unir os dois caminhos na mesma pessoa.
                       O primeiro também é chamado de caminho da razão, aprender a observar o universo e descobrir nele uma única lei que rege todos os acontecimentos, unindo-os numa harmoniosa unidade. Para o budismo isso se chama lei de carma, lei de casualidade ou lei de causa e efeito. Explica os mistérios da aparente injustiça moral e a existência de uma verdadeira justiça universal.
                        Já no cristianismo aprendemos o segundo caminho, o da fé ou caminho do coração, nos apresenta o universo como sendo um ser supremo, um Deus criador e eterno legislador. É a fé inabalável que precisamos desenvolver cedo ou tarde.
                        Para o verdadeiro sábio, não há diferença existencial entre esses dois métodos de conhecimento. Ambos são apenas dois aspectos de uma mesma coisa, como os discípulos dos dois mestres já o perceberam. 
                        O caminho que nos guia a iluminação, que esclarece todas as dúvidas e nos enche de imperturbável sentimento que de existe uma infinita sabedoria, que é ao mesmo tempo infinita bondade, o criador e legislador do universo, nosso pai, o imortal ideal, exige que passemos um bom tempo caminhando pela senda da razão e um outro tanto pela senda do coração. Deixando de lado a ilusão dos bens materiais, das paixões e dos vícios para nos dedicarmos ao eu interior.
                       Não estou dizendo que não devemos cuidar do corpo, muito menos desprezar a matéria e seus gozos lícitos, até porque aquele que se afasta de tudo, sentirá falta, mas devemos cada vez mais mantermos o equilíbrio, desenvolvendo a razão e a emoção, as duas devem andar juntas, uma apoiando a outra, uma complementando a outra.
                      Aprenda a valorizar o que realmente tem valor, seu bem estar emocional vale muito mais do que roupas caras e joias. Você é um espírito numa jornada de aprendizados e aprimoramento. Valorize cada degrau que foi vencido, cada novo dia é uma nova oportunidade de mudanças e aprendizados.
                       

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Morrer é encarrar de frente nossos erros

                 ''Como você está vendo eu sou um coração despedaçado.
                  A minha tristeza não tem paralelos e eu sei que mereço, por tudo que fiz. 
                  Eu sempre fui um salafrário de marca maior, um crápula nojento e falso.
                  Meu lema era: eu vou tirar vantagem em cima de todo mundo.
                  Assim eu vivi, movido por este jargão idiota e escravo de minhas taras.
                  Eu não sabia na época, mas um monte de espíritos bravos me habitava.
                  Eu e eles éramos unha e carne, irmãos de falcatruas e arruaças.
                  Eu, burro achava que estava no comando, mas eram eles os meus chefes.
                  Eles estavam em mim. E eu não os via, mas intuía suas presenças invisíveis.
                  E, de alguma forma, eu me comprazia com os pensamentos deles em mim.
                  Eu vivi meu tempo desse jeito, com eles vivendo comigo a tiracolo.
                  E quando eu fiquei doente, eles me abandonaram e ainda riram de mim.
                  De vez em quando eles voltavam, para zombarem ainda mais e  sempre me torturavam.
                  Quando eu tentava dormir, eles me atazanavam, gritando em minha mente.
                  Eu fui xingado por eles da mesma forma que eu xingava os outros.
                  Falando reto. Eu merecia! Tinha vivido com eles em mim, e esse era o preço.
                  Finalmente, depois de padecer por anos, o meu tempo na terra acabou.
                  E eu fui envolvido por um turbilhão escuro, que me jogou na lama.
                  Então, eu me vi num lugar sujo e depravado. E ali havia outros do mesmo jeito.
                  Nós éramos um monte de estrume em forma de gente, refugos da maldade.
                  Nós nos arrastávamos naquela lama fétida, sem conseguir olhar para cima.
                  Uma força nos pressionava contra o solo, e não conseguíamos erguer a cabeça.
                  Nós estávamos grudados no chão daquele lugar, presos numa gosma escura.
                  Eu não sei quantos estavam ali, mas eram muitos. E eu era um deles.
                  O cheiro era insuportável, e uma maldita humidade nos impregnava.
                  Ali eu chorei. Ali eu vi o quanto eu tinha sido maldoso. Ali eu clamei por Deus.
                  E quando eu fazia isso, alguma coisa mudava dentro de mim....
                  Então, eu comecei a pedir perdão a Ele, porque finalmente eu me rendera.
                  Eu fazia isso do meu jeito ( não era do meu feitio rezar), mas algo tinha mudado.
                  Ali, naquele antro, eu aprendi a rezar. E até ensinei aos meus companheiros....
                  E eu dizia para eles que estávamos ali por causa de nossos atos maldosos em vida.
                  E que erámos merecedores por tal infortúnio. Então, não pedíamos a salvação.
                  Todos ali eram sabedores do mal que tinham feito, portanto não havia ilusões.
                  O que nós queríamos era o perdão de Deus. E mesmo, naquela lama, algo bom surgiu.
                  Dentro de nós brotou a compreensão de nossas condições, então uma fé nasceu....
                  A fé na redenção, mesmo para homens como nós, filhos da maldade.
                  Naquele antro escuro, nós choramos muito, enquanto nossa fé crescia.
                  E isso nos deu a chance de melhorarmos. Inicialmente, já conseguíamos olhar para frente.
                  Depois, conseguimos nos ver, uns aos outros, olhos nos olhos, mas com muita vergonha do passado.
                  Até que conseguimos olhar para cima, onde havia uma luz fugaz, bem distante.
                  Essa luz se tornou o nosso sonho e, gradativamente ela aumentava, e se aproximava.
                  Nós sabíamos que era a luz de Deus. E que nossa fé nos levaria até ela.
                  E assim foi... quando um grupo de pessoas abnegadas nos tiraram daquele lugar escuro.
                  No inicio, nós pensamos que eles eram anjos, mas depois percebemos que eram pessoas.
                  Eram homens e mulheres. Eram luminosos. Médicos, enfermeiros e ajudantes. Enviados pelo amor de Deus.
                  Finalmente fomos levados para um lugar de regeneração, onde fomos tratados.
                  Levou um certo tempo, mas melhoramos. Ganhamos o direito de ir viver na luz. Iremos para um centro de educação, lá continuaremos nossa trajetória rumo a reencarnação.
                  Eu falo em nome de todos eles, que subiram na fé, como testemunho de luz. Sabemos que o caminho para redenção total está longe, mas temos muita fé.''
                  Este relato é de um amigo que conheci em desdobramento na cidade espiritual Esperança. Este grupo de irmãos se encontraram no pós vida em um dos muitos antros umbralinos, mas essa união na fé e na prece fez com que muitos quisessem a regeneração e a mudança interna. Que possamos chegar a essa conclusão enquanto ainda estamos aqui no planeta terra, quanto mais cedo despertarmos, melhor será para nós.