terça-feira, 2 de junho de 2026

Luto é sempre luto, independentemente de sua crença religiosa

                              As pessoas que seguem o espiritismo ou são espiritualistas vivenciam o luto? Afinal essas pessoas acreditam na vida após a morte, deve ser mais fácil passar pelo luto ou o sofrimento da saudade de quem amamos.
                           Na minha opinião qualquer pessoa independente de religião sofre quando perde alguém que ama. O espiritismo nos diz que a dor é algo muito íntimo, não existe tempo para deixar de sofrer ou como algumas religiões designam um tempo específico para o luto. A dor é sua e só você saberá o tempo que levará para digerir esse sofrimento. Todos somos dotados de emoções e por isso não estamos isentos de sentir dor.
                           Existem certos comentários do tipo: ''Espírita não chora porque sabe como é o outro lado'', ou que ''O espírita não pode se apegar à essa dor porque logo a pessoa vai reencarnar'', bem como outras frases feitas que são comentários frios, como se certas religiões fossem repletas de fieis insensíveis. 
                           No meio espírita e espiritualista existem os dois lados da história, os que nunca sentem nada e dizem que o espiritismo cura qualquer coisa (que muito provável não amam verdadeiramente ou não querem vivenciar a dor) e os que sentem e levam o tempo que quiserem para vivenciar o luto e a saudade.
                           No livro na Trilha do bem o personagem principal Edgar vive este momento em sua vida, quando estava encarnado. Um querido amigo, Joaquim, ao qual ele sentia afeto paterno, desencarna. O autor Otávio Müller relata que Edgar viveu aquele luto quieto e entristecido, porém lembrando do Sr. Joaquim com muita gratidão, que foi ele quem lhe ofereceu o primeiro emprego, ensinou o ofício da sapataria e deixou-lhe o negocio em testamento.
                            Agir com frieza ou desprezar essa vivência não é o caminho da caridade que se espera de alguém religioso, seja qual for sua crença. Assim como o comportamento soberbo de dizer a um enlutado que ele está errado. O caminho do equilíbrio é confiar no evangelho de Jesus, o mestre nos disse em sua passagem pelo plano terrestre que passaríamos por provações e que deveríamos confiar nele e no criador.
                            Lembremos também que Jesus chorou ao saber da morte de seu amigo Lázaro. Esse sentimento de perder alguém querido também foi vivido pelo homem mais pacífico que a terra conheceu, logo ninguém está livre de passar pela dor da perda.
                             A vivência do luto é única e intransferível. O espírita traz consigo algumas certezas, como a saudade e a necessidade do perdão, mesmo no pós mortem. Outra prática comum é fazer a prece pelos recém desencarnados, já que agora as pontes de comunicação com os entes amados e desencarnados são invisíveis, nada mais puro do que uma prece sincera por quem já passou desta vida física.
                              As circunstâncias do desencarne do ente amado afeta direta ou indiretamente qualquer um de nós. Se de repente foi uma situação de cuidados paliativos, onde se esperava a morte assistida ou a espera dos familiares pelo fim do sofrimento, neste caso a despedida já vinha sendo feita pouco a pouco, nesta situação a resignação pode ser considerada mais tranquila, mas mesmo assim cheia de dor.
                             Todavia, nos casos mais violentos ou repentinos, podemos nos chocar como qualquer outra pessoa, o fato de conhecermos algo espiritual não nos abona da dor ou sofrimento pela perda de alguém próximo. Somos todos feitos de sentimentos e emoções e nada nos impede de sentirmos raiva, revolta e dor diante dessas situações, somos humanos e sentir é nossa maior qualidade.
                             Dessa forma, podemos concluir que o luto se estende a quem sente amor, independente de sua crença religiosa. Ninguém escapa da dor da perda de um ente amado diante da morte. As pessoas espiritualizadas, apenas buscam um outro olhar para essa partida tão repentina, um olhar com a alma de que não será somente um adeus, mas sim agradecendo pelo reencontro. E esperamos que nos ver muito em breve e continuarmos nossa trajetória evolutiva aqui no planeta terra, ou no plano espiritual ou em outros mundos habitados. O importante é sempre o reencontro.
                          

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