terça-feira, 28 de abril de 2026

Quando nos auto-enganamos

                        O espiritismo nos propõe constantemente o exercício da fé raciocinada, utilizando como fundamento indispensável a razão, em qualquer momento da história da humanidade, como Kardec nos traz:'' Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da humanidade.'' Sendo assim, o espiritismo descortina dogmas, trazendo religiosidade à luz da razão. 
                     Porém, muitos de nós espíritas, mesmo na atualidade, ainda temos dificuldade em utilizar o discernimento raciocinado, preferimos a religiosidade em vez de colocarmos em prática os dons mediúnicos que recebemos como privilegio de nossas muitas encarnações. 
                    Pelo comodismo ou por autoridade de algumas lideranças religiosas, acabamos por deixar nossa fé de lado e perdemos um tempo precioso em termos de doação e caridade. Ao doarmos nosso tempo em prol de ajudar alguém, estamos valorizando a vida e cuidando de nosso autoconhecimento. Somos muito mais do que simples aparências.
                    A ausência da fé raciocinada associada ao comodismo leva-nos ao pouco estudo e conhecimento das leis espirituais, dessa forma, acabamos buscando refugio em pessoas que pensamos ser iluminadas, mas que na maioria das vezes usam uma máscara para atrair seguidores e até dividendos. Atualmente muitas pessoas vivem as custas de seus seguidores, será isso correto? 
                    Paulo de Tarso, se converteu ao cristianismo, abandonou sua profissão e recomeçou a vida com nome diferente e nova profissão, pregava a noite nos círculos cristãos e dizia que cada um deveria trabalhar em prol de seu sustento, por isso as pregações eram somente a noite. Sei que a vida mudou muito nesses 2.000 anos que nos separam, mas devemos refletir se o que está acontecendo é certo ou errado.
                    É importante esclarecer que o maior problema não está somente na conduta de certos dirigentes, mas sim, no ato de negligenciarmos a forma de pensar, questionar, servir ou mesmo de refletir de forma individualizada as práticas de religiosidade. As consequências dessa recusa são a estagnação numa fé cega, disfarçada por uma falta de humildade em que criamos diversas frases de autoengano como por exemplo: ''não sou capaz de estudar, não tenho tempo para nada, não tenho mediunidade ou não sirvo para ajudar''. Você se engana e tenta fugir de suas obrigações espirituais.
                     A espiritualidade espera mais de nós, por isso devemos deixar de lado essa ociosidade pragmática e sermos protagonistas e responsáveis com os dons que adquirimos em nossas encarnações, trabalhando e servindo, além de questionar, analisar, compreender antes de aceitar qualquer ideia como verdadeira, e acima de tudo, ser participativo, colaborar com as atividades do local religioso ao qual frequentamos.
                     A espiritualidade exige discernimento e não fuga da realidade. Precisamos estudar e compreender que devemos servir e fazer a divulgação do que pode ajudar o maior número de pessoas a se equilibrar e encontrar um rumo em seu destino.
                    Não podemos admitir uma postura passiva e conformista. Não existe jeitinho ou mágica em termos espirituais, apenas estudo e esforço pessoal fará com que consigamos alavancar nossa encarnação. Da ação surge a verdadeira transformação. Temos que querer aprender, ter vontade de se transformar, ter constância para cumprir os nossos desígnios. Para não haver o autoengano, principalmente após a morte do corpo físico. Não nascemos somente para receber, mas também para doar.
                    Perante este cenário, torna-se necessário recordar constantemente a importância da fé raciocinada. Devemos buscar o discernimento, a proposta filosófica do autoconhecimento, isso é um exercício intelectual de autocrítica, um esforço individual contínuo para compreender quem realmente somos, de onde viemos e para onde iremos. Essa é a verdadeira meta de vida, é o fator principal de estarmos renascendo constantemente. Somos espíritos vivenciando uma experiência humana.

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