Perdoar não é curvar-se perante o erro, tampouco silenciar a dor como quem finge esquece-la. O perdão é um gesto íntimo, silencioso e profundo, é libertar a alma da prisão da mágoa, dissolver as correntes invisíveis que nos prendem ao passado e reencontrar a leveza de poder seguir em frente.
Quantas vezes acreditamos que ao guardarmos ressentimento, estamos protegendo nossa dignidade? No entanto, é nesse apego que nos tornamos presos a acontecimentos ruins. O coração se endurece, a mente se fecha, e a dor, que deveria ter sido apenas uma travessia, passa a morar e conviver conosco. O espiritismo nos mostra que o ressentimento não se encerra na vida presente, ele ultrapassa o estágio da morte, arrastando-se para as outras vidas, como sombra que insiste em acompanhar o espírito até que este aprenda a transformar-se pela luz do perdão.
O verdadeiro perdão é aquele que lança um véu de esquecimento sobre o passado, é a única forma de nos lembrarmos de um ultraje sem que a mágoa renasça. Não se trata de esquecer o que foi vivido, mas de purificar a lembrança, nesse quesito a hipnose é excelente para ressignificar o passado. É normal recordarmos, mas sem envenenar nossa mente, coração e sentimentos. O perdão é a alquimia da alma, transmuta a dor em aprendizado, a ferida em maturidade, o erro em degrau de ascensão.
O Cristo ao recomendar perdoar setenta vezes sete, não propõe uma conta, mas a eternidade do gesto. Porque o perdão não é favor ao ofensor, mas sim libertação do próprio espírito.
No livro dos espíritos encontramos a lembrança de que a indulgência atrai, corrige e eleva, enquanto o orgulho e a vingança apenas alimentam a inferioridade que ainda carregamos. Ao perdoar, não estamos sendo condescendentes com a injustiça, mas escolhendo não perpetuar a cadeia do ódio, interrompendo um ciclo de quedas que poderia arrastar-nos por séculos.
Quando escolhemos perdoar, não estamos validando a injustiça, mas interrompendo um fluxo invisível do ódio que tende a perpetuar-se indefinidamente. É como se, diante de uma corrente que atravessa gerações, o espírito dissesse: ''em mim, essa cadeia se encerra''. O rancor cria laços que se prolongam no tempo, alimentando encontros dolorosos, conflitos incessantes e expiações repetidas. O perdão ao contrário, é o gesto que corta esse nó, devolvendo à alma a liberdade de seguir adiante sem carregar o fardo da vingança.
O orgulho nos faz acreditar que guardar mágoa é preservar a nossa dignidade, a vingança nos ilude com a sensação de justiça feita. Mas, em verdade, ambos são grilhões que nos mantém acorrentados ao nível inferior das paixões primitivas. Ao renunciar a eles, não nos tornamos frágeis, tornamo-nos fortes o bastante para escolher a paz onde antes reinava a guerra.
Muitos sofrimentos dos espíritos desencarnados se prolongam pela impossibilidade de perdoar, tanto aos outros como a si mesmo. Enquanto a mágoa e a revolta permanecem, a alma não encontra repouso, vagando inquieta em meio às lembranças. Eis porque o perdão é, antes de tudo, uma ferramenta de autopurificação.
Perdoar é amar-se. É retirar da própria alma as pedras do caminho e abrir espaço para a paz, é recusar a companhia da sombra e caminhar em direção ao sol. Quem perdoa não diminui, engrandece-se. Porque vence não só o outro, mas a si próprio.
Existem várias formas terapêuticas de perdoar e iniciar a transformação em sua vida, a mais eficaz é a terapia com o uso da hipnose clínica. O autoconhecimento unido a ressignificação da mágoa é a mudança real que precisamos. Dê o primeiro passo rumo ao equilíbrio, busque por ajuda.
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